11 de mar de 2009

Cavaleiro Andante

Cavaleiro Andante ou Metáforas com gosto de material reciclado.

Sou uma bizarra espécie de cavaleiro andante, como tantos outros Quixotes que vagam por aí.
Não tenho Dulcinéia, nem Sancho; não tenho nem Espanha, nem México nem Camelot; tenho um Rio de Janeiro sujo e remelento às quinze pras sete da manhã. A minha armadura não é a prova de balas, assim como o coração que se esconde no peito.

Não sou herói nem anti-herói, no máximo uma pantomima atormentada de protagonista, sou habitué dos clichês, ah ! como sou. Meus dragões não são moinhos de vento, são imponentes ( ou empolados ) dragões do mais puro e tridestilado clichê, cujas baforadas de deuses ex machina mal colocados permeiam minhas histórias.

Ando, porque não tenho carro.
Ando, porque sou pobre.
Ando, porque a minha misantropia muito bem disfarçada me afasta dos ônibus.

No mirante da Niemayer, a cidade abre as pernas, uma puta barata e amada por um cavaleiro viajante; sou uno com a turba, com a miséria, com a riqueza, com a merda, com a cocaína.

Acordo num recanto católico, é hora de ir para a escola.

Jean Felipe Limoeiro Gonçalves

Um comentário:

Lucas disse...

É sempre tempo para encontrar um vilarejo... Se é que você acredita em algum.

Mas isso não importa, porque a história é sua.

O que defende seu brasão feito nesta mescla de chorume e "divindades"?