14 de fev de 2009

Metrô

Metrô

Subi esbaforido, o rosto suado da corrida.
Seis e vinte da manhã no Rio de Janeiro, os trilhos e o subúrbio passam por baixo dos meus pés, me perco na visão da cidade levantando para mais um dia, a alienação comum de quem ainda tem sono.

Alguém esbarra em mim interrompendo meu transe, muitos rostos se viram para olhar quando solto um muxoxo involuntário, então vejo uma face conhecida na massa, que ao perceber o meu olhar se esconde. Lembro da pele branca, das maças do rosto acentuadas, os olhos bem delineados pela maquiagem, o batom coral, mas o cabelo está diferente mais curto mais belo. Seu nome vem rápido, uma concatenação de cinco letras, pequenina, delicada.

A enxurrada de memória é sinestésica, todo toque e som voltam, sensações fantasmas em um estado de quase sonho. Quando dou-me por conta, as pessoas já estão saíndo, trocando para a outra linha, ela sai escondendo-se atrás de uma muralha de gente.
Uma determinação talvez vingativa me leva a ir atrás dela, desvencilhando-me de toda aquela gente que sobe em desespero. Toco-lhe o ombro, ela se vira, e antes de verificar qualquer reação meu corpo age :

- Oi.

O olhar que me encara é gelado, esquadrinha a minha figura rápidamente, só posso conjecturar o que se passa na cabeça dela, eis que toda a minha esperança é atingida por um impacto forte. Ela vira-se de volta para a direção da subida, e dá alguns passos pra frente; fico ali congelado por essa reação, enquanto pessoas sem face tomam os lugares correspondentes a distância entre eu e ela.

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