30 de jan de 2009

O Demônio Juvenil

O Demônio Juvenil


1- O Delírio Febril em Vermelho e Verde

Covarde e indefesa... Dobra o olhar, mente insana!
Eis aí tua proeza? Carne qual repulsa fria?!
E no "cerébrio", engano, desconforto em pele humana...
O asco fragrante (olfato), ou o fato dito
em lábios redondos.

São os dias, de fato, enfastiados dos contos...
O comprimento das pernas cálidas e a face escondida
Atrás de um sorriso de cabeça pra baixo,
Atrás de palavras calejadas, sem vida.
Sorriam de cabeça pra baixo,
lábios hediondos!

Luziu, vaga-lume sintético, luzes de outra noite,
Fez-se a lembrança da pose de nós dois nós cegos
Que desanda em desejos e oscila um repouso terno;
Que aponta o ponteiro sempre devoto ao doze.

Tremo, rosno, fico quente, transpiro bravo!
Lânguido, caio no lamento e no sono que não sonha...
Fatigado, lamento o momento que estou acordado...
Tremo e rosno como animal de rabo e de peçonha.


2- A Cria Adoecida, A falha, A Música

O pulso vibra como na idade rasteira
E a melodia sem nome acredita nesse dia.
Os traços de nanquim impecáveis
Se desfazem em tudo que me habitaria
E se aglomeram no desfecho de um cadáver
Ou num silêncio em prol da sinfonia.

Os últimos nunca foram os primeiros,
Os astros nunca leram o azar e a sorte.
Viverá jovem o amor dos selos nas cartas
Até que caiam os cabelos com a tinta
e com o corte.

Diego Guerra

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