23 de jan de 2009

Juras/ Gole no gargalo

Juras

...Venha ver os novos astros num céu de novo janeiro!
A saliva é uísque e hoje é um dia inteiro...
Minha pátria, minha comida, meu dinheiro...
E as juras serão cumpridas, as compridas serão primeiro...

Cada beira de cais me conta as mesmas lendas,
Como colo de avó nos conta pra boi dormir em fazenda,
O cais tem meus pés mergulhados na maré magenta;
Lembro dele embriagado nos braços de alguma ciumenta.

Entoarei, em bosques brumosos do passado passado,
Desafinados, libertos, potentes e abertos, brados.
Com os braços abertos veja de perto os novos astros
E as compridas juras do sorriso comprido nos lábios.

Nos acordes menores derramarei minhas lágrimas,
Com a garganta esmagada numa arfada de lástimas,
Com o dedo médio no palmo e o amor entre as páginas,
Com o par de olhos na frase da despedida apática...

Venha ver os novos astros num céu de novo janeiro!
Venha dobrar o corpo em passos de dança pioneiros!
Minha pátria, minha comida, meu dinheiro...
Rosa cada vez maior, mais rosa e com mais cheiro.

E nos acordes menores derramados, excretados...
O novo janeiro e as juras comprimindo o sorriso nos lábios...


-2-Gole no Gargalo

Beijo
Trêmulo primeiro gole no gargalo
E nesse ensejo por aproveitá-lo
Faca que se amole, beiço que gargalho
Ofegante ante ao beijo dou-te a
Braços.

Beijo
Trêmulo centésimo gole no gargalo
Vibra de desejo, cessa quando falo
Suor molha e seca, cessa quando calo
Ofegante ante a abraços dou-te o
Beijo.

Diego Guerra