30 de set de 2008

C'est Moi, La Bête

C'est moi, La Bête
Abertura - Em meio as tempestades
Dançar no meio das tempestades, vestido de besta
Depois de fenecer no enfado é o balsamo que resta
Que amaina o coração sensível para quem a vida
É senão um infinito e torpe pedido de guarida

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Estradas constroem-se falhas sob pés cansados
Paisagens parindo folhas sob os olhos estiolados
No espelho, mesmo à luz do Sol, ainda sou a Fera
Cujos dias são marcados pelo fim da Rosa à espera

Delírios refugiam suas delícias em invólucros anátemas
E destituído do real, afogo-me nestas viagens astenicas
Nenhuma Bela atravessa os portões do meu castelo
Sou alienado do todo, nada forma comigo um elo

Construções artificiais erguidas a minha volta
Nada fazem para esconder sua natureza de falta
Como se quisessem avisar como é fragil o meu mundo
Que nada nele tem substância, que tudo é falso e sem fundo.
Jean Felipe Limoeiro Gonçalves