20 de ago de 2008

Não Sei Ao Certo

Não Sei Ao Certo
Falarei da coisa mais leve – e nem por isso tão livre – Que, pairando sobre a putrefação comum de cada coisa, me comove. A amizade. Atrelada a percepção única de um só:
mente, zinho, litário, terrado; enfim. A percepção do que encontro às cegas em mim mesmo – Vejo que eu somos a redefinição do que és, amigo. E então recordo os amigos debatendo as estéticas, gargalhando gagos, condenado ou absolvendo, avaliando a seus pesares; amigos vagando-lumes bem perto ou longe de si mesmos. – Se a brincadeira, até mesmo a de mau gosto, lhe convém, há de convir igualmente a mim. Por que o porquê, se a correta indagação é “por que não?” Por que não se temos o sim? Nossa boca é flexível, dada ao sorriso e ao bradar, tal qual ao ranger de dentes. Até o mais alegre mente, usando cada molar. Até mais! – alegremente, disse-me o amigo mais leve que o ar, e nem por isso tão livre.
Diego Guerra

2 de ago de 2008

Lamento viciado

Lamento viciado
Se é de dor que se grita
Grito de buscar
Estar só é o que busco
Em estar só sempre falho
É de solidão que sofro
E é de sofrimento que falo
Sofro de uma dor antiga
Se é de dor que se grita
Diego Guerra