28 de jun de 2008

Etílica

Etílica
~ encontro-te no interior de uma lata de cerveja ~
Vai e volta ;
Mares infinitos dourados no interior de um pequeno recipiente
Sensações incríveis explodem para fora de um sonho incipiente
Somos todos escravos da rotina, o álcool nos liberta da vida
Peculiar, entrelaçadas em ódio esta rubra e estranha ferida

Viver ; e não existir.
Jean Felipe Limoeiro Golçalves

20 de jun de 2008

A Passagem

A Passagem
Descer por entre galhos
Subir mais uns degraus
E escrever poemas falhos...

E lá vêm mais andorinhas.
Antonio Carlos Vilela

19 de jun de 2008

Apagador

Apagador
~ the eraser ~

A chuva estourava devagar ao atingir o vidro, a pouca luz do sorumbático dia de inverno não era suficiente para iluminar o quarto em plenitude, na penumbra toda sorte de objetos espalhados, sobre a cama e sobre o chão, livros, cds, papéis rasgados e móveis revirados, claros sinais de uma luta aguerrida. O vazio porém conferia a cena uma placidez atípica, como se o silêncio do mundo ali estivesse concentrado a despeito da sala de estar contígua ao quarto emitir o barulho farto de conversa e televisão.
O chefe da família, homem conservador, feito todo de impostos pagos e whisky doze anos, surpreende-se ao olhar para aquela porta verde clara, com os dizeres ' Achtung ! Verbotten Welt ! ' escritos em uma placa branca de resina em formato de globo; ele não se lembra da presença de uma porta assim em seu apartamento de duzentos e trinta mil reais, nem mesmo da existência de um quarto no lado esquerdo do corredor.
A filha exemplar, faculdade de engenharia de produção, loira, falsa-moralista diverte-se ao assistir a um reality show inócuo na tevê a cabo de duzentos canais, mas ao ver o pai estático no corredor ergue-se do sofá e posiciona-se atrás de seu preceptor ; seu rosto se torce em uma expressão típica das garotas iguais a ela, em um misto de surpresa e nojo.
- Papai, desde quando temos essa porta verde horrível aí ?
A voz da filha desafoga o homem de suas indagações, ele meneia a cabeça negativamente
- Não sei, só reparei nela agora, é tão estranha, tão feia
A guisa de completar o raciocínio do pai, ela sussurra :
- Alienígena é a palavra.
Ambos detem-se ali, a frente daquela porta que não há, conjecturando sobre como ela poderia ter surgido de súbito.
Uma sombra desliza devagar para fora do apartamento através da janela da sala, os moradores da casa entretidos na porta não percebem a grande mancha negra; ela alcança a rua e vaga até encontrar um beco imerso na escuridão, se algum ser humano pudesse ver no escuro, avistaria o negrume transformar-se em um homem e se pudesse ouvir ultrasom ouviria este homem dizer :
- Mais um serviço feito, menos uma lembrança em cada mente.
Carros vão e vem nas ruas, expelindo fumaça e o homem que é sombra perde-se nas multidões automotobilísticas no fim de tarde de uma grande cidade.
Jean Felipe Limoeiro Gonçalves

14 de jun de 2008

Beatriz III - Triunfante -

Beatriz III
- Triunfante -
Persegue-me inconsciente, um delicado fantasma
Uma revoada de folhas rosáceas adocicadas
Provoca-me doença tácita, psicológica asma
No encontro dos olhos reações petrificadas

Minhas visões dementes, danças ao invés de andar
Cada passo teu traga para si a cor do mundo
Auroras refletem-se no encanto do teu olhar
És a flecha alojada em meu ferimento mais profundo

Tudo é vazio, entre nós a redoma vítrea se intepõe
Raios de Luz são seus cavaleiros, outonal princesa
Teus iguais erguem-se, venenosos e ferinos guardiões
Sou sentenciado ao anti-paraíso de invernal tristeza

Grito teu nome em sonhos até a exaustão das cordas vocais
Como se de tuas oníricas visôes pudesse atenta escutar
Minguando nestes sofríveis divertimentos infernais
Nutro a dúbia esperança que essas palavras possam lhe alcançar.
Jean Felipe Limoeiro Gonçalves

Cerise.