31 de jul de 2007

Longe [1]

Longe [1]
Deságuas de meus olhos!
Vá vasto rio – reluzente, meu amigo!
Vens de longe, não entendes os relógios.
E da saudade eu fujo, e sem abrigo...

Vem! Tenho no colo os teus filhos
São tão belos, e com olhos tão distantes
Têm a tua graça, quando riem dos ladrilhos
Que refletem teu retrato na estante.

As gargalhadas de um louco, que tu cuspias
Fazem marca na ausência do teu eu
E a certeza de chorar quando sorrias

Está contida num momento que morreu
Longe de mim, das crianças e do amor
Tem no teu túmulo uma rosa, minha flor.
Antonio Carlos Vilela

27 de jul de 2007

Relance

Relance
(sobre os tempos de cólera)
No desdém por mim mesmo encontrei-me perdido
Desfiz-me dos pontos delineantes do eu
Na incoerência com o espelho do inconsciente ambíguo
Pus frente a frente à magia cética do fantástico ateu

Nos lobos de Hesse encontrei-me vagando
Nos peixes de Hemingway reconheci os meus
Dizendo que céticos não desequilibram balanças
O demônio ao acaso me nega entre os seus

A esperança de praxe se vê imortal
Sendo a ultima viva quem a vê morrer?
Coloca-se nua sem medo banal
Vendo que cadáveres não vêem acontecer

As herdeiras do tato dizem para eu não me perder
Estas minhas mãos sempre tão maternas
Só se soltam de mim para em ti se entreter.
E minha mente ingrata em direções incertas

Não suporto minha própria presença
Porém admito sou insistente
Reneguei-me deveras umas mil vezes
E mesmo assim permaneço presente

Despeço-me assim, respirando em cólera
Deste relance que agora eu julgo assim
Infinito aqui e finito lá fora
Dando largada ao prelúdio partindo do fim.
Evandro Sussekind

25 de jul de 2007

Amizade Expressa

Amizade Expressa
Já escrevi em tantos versos
aquilo que tanto senti
já escrevi pelas paredes
os motivos de não rir

Com teu nome trocadilhos eu fiz
em gratidão aos abraços que me dera
o teu nome escrevi com um giz
nas paredes que um cubo encarcera

Suaves lágrimas já vi em teu olhar
em pouco tempo estendia meus braços
suaves lágrimas eu pude enxugar
e em troca recebi teus abraços

Já hoje, é tão raro falar de biologia
pois eu não tenho a minha cara peça
foi contigo que em tão pouco tempo eu já ria
sinto tanta falta da nossa Amizade Expressa.
-Em dedicatória à Luna.
Antonio Carlos Vilela

23 de jul de 2007

Dose de Mel

Dose de Mel
Senta aqui, vamos conversar...
Esperar o nosso copo precioso
Gastar o que podemos p’ra voar
Estender esta conversa até o gozo

Estátuas vivas – belas e humanas
Fazendo-nos mergulhar em nosso irreal
Não existem para nós as razões planas
E tropeçamos um no outro afinal

O êxtase de tudo – dominando
Nossos corpos são apenas marionetes
De quem? – Demônios em nossas vistas ofuscando!

Somos loucos no momento em que repetes
“Senta aqui, venha olhar p’ro céu...
Pegue mais um copo e uma dose de mel.”
-Em dedicatória a Diego Guerra

Antonio Carlos Vilela

O Tango

O Tango
Tu em rubro – sangue rei
Dançante a desarmar
Ao momento que a chamei
P’ra no salão me acompanhar

Som latino – quente à pele
Musgos olhos, derme clara.
Peço a ti que te reveles
Quero o beijo que roubara

Bailarina incendiada
Joga o corpo nos meus braços
Ora moça imaculada!
Que se ilumina em nossos laços

Fora curto o tal romance
Foi apenas uma dança
De tão brava a breve chance
Só me resta a lembrança.
Antonio Carlos Vilela

18 de jul de 2007

Cecília

Cecília
Cecília ;
É uma mulher que ainda não achei entre as brumas do mundo
É algo híbrido de Regina Spektor e de Albert Einstein
É ultima canção que se ouve antes de dormir por fim
Luminescência no prumo noturno é reflexo de seu olhar .

Cecília ;
Seus cabelos lisos emulam uma eternidade negra contida em Chanel
Parfum de seu corpo arranca da natureza suas plurisensações
Delicada respiração é uma brisa que sopra as penas dos anjos
Mais uma de muitas perdições romântico-incorporadas.

Cecília ;
Fleuma para com sua presença soa como uma impossibilidade
Encantora canção moldada em dissonantes microtonalidades
Poderia ser Juliana , Fernanda , Rafaela ou Maria Emília
Na roda do destino o dedo sangrado escolheu Cecília.
Jean Felipe Limoeiro Gonçalves
- viva zapata !

15 de jul de 2007

Rock'n Roll - by Antonio.

Em homenagem ao dia do rock, por mais que atrasado eu esteja, postarei aqui cinco dos meus discos preferidos; com passagens de geração e tudo mais, enfim [isso não é necessariamente um ranking] :

Internacional

1º - The Beatles - Please, Please Me => Atualmente o que mais ouço dos rapazes de Liverpool.

2º - The Small Faces - Ogden's Nut Gone Flake => Sem comentários.

3º - Pink Floyd - Meddle => É o que ouço no momento desta postagem matinal.

4º - Muse - Black Holes And Revelations => Entrando no século XXI agora! Álbum perfeito, música boa da primeira até a última faixa.

5º - The Strokes - First Impressions Of Earth => Atualmente o mais tocado no meu player também, apesar de que strokes quando ouço, eu ouço os 3 discos direto [sem muita preferência entre eles, afinal, Strokes é Strokes].

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Nacional

1º - Faichecleres - Indecente, Imoral E SemVergonha

2º - Los Hermanos - O Bloco Do Eu Sozinho

3º - Anacrônica - Deus E Os Loucos

4º - Canastra - Chega De Falsas Promessas

5º - Tequila Baby - Ao Vivo Dia Mundial Do Rock

14 de jul de 2007

Trajetória Retilínea

Trajetória Retilínea
A Trajetória da Vida ;
O homem por ser homem revirou a frente da casa as entranhas famélicas
Os habitantes vieram contemplar o espetáculo de amuada e solitária mortificação
O filho mais novo viu e padeceu nos beijos vítreos do encanto insano da Lua
O filho mais velho transformou o nojo em força e riu do pranto meramente humano.

A Trajetória da Vida ;
De rua em rua , de beco em beco humilhados e ofendidos levantam-se para um novo dia
No Paraíso à cabo pássaros cantam sem nenhuma nota hesitar em seu réquiem de engodo
E o filho mais novo diz aos pais que não quer trabalhar que prefere a vida de poesia
E o filho mais velho escarnece apenas para morrer logo orgulhoso de ser morto em prol do(e) seu (s) paí(i)s.

A Trajetória da Vida ;
Cirandas que não giram formam filas indianas de crianças plenamente doutrinadas
Os olhos observam de suas torres e seus raios tentáculares turmalinescos fagocitam
Fagocitam o que lhes parece ameaçador , o fazem alimento para a nova e bela estupidopia
E mais um homem e suas entranhas famélicas a se revirar a frente de casas no súburbio mental.

A Trajetória da Vida é Retilínea , ao passo que é uma infinita reta portanto é um círculo o que caracteriza sua tragédia repetitiva.
Jean Felipe Limoeiro Gonçalves

Toda Fantástica

Toda Fantástica
Tocava sua pele e me perguntava...
Sempre soube; quando me ordenavas
Para tomar de vez teu corpo,
Em braços meus que te apanhavas...
Havia sobre tua cabeça, no ar, verdadeiro estorvo – O que me complicara. –

Era, ou parecia-me, um imenso castelo...
De fato era um armário, um armário falante.
De alguma maneira, tu falavas de modo tão belo,
Falavas mais até que o móvel; falar elegante e singelo.
Tuas palavras cheiravam, e no ar, em instantes

Pelo meu cérebro e algumas células simples, fui encharcado,
Por turbilhões de letras e frases cortantes, fui rimado
Com o final do que acabara de dizer – E ela disse o que eu odiara. –
Mas tarde – de frente, não mais de lado,
Diferentemente – disse o que eu adoraria ouvir.
Com um sorriso encabulado morri ( e dessa vez não de rir ).

Somos! Somos ! Somos!.. Unificados, desde o inicio,
E você sabia...
Mas é claro! Existem o teu armário, tuas palavras, e meus vícios.
Além de as velhas alucinações vadias.

Confesso que já quis ser tudo, ou muito,
Mas continuo não sendo nada além de mim...
É um esforço enorme que em vão deixa-me assim;
Cego p’ra ver o que sou, mas não mudo.

És existência tão subjetiva
Quanto uma metáfora relida, e relida outra vez.
Tão fácil e reprimida de um olhar de seis em seis.
Acho que até pensaria
Em matar-me por você,
– Repensando a sentença – Iria,
dar-te uma carta, um punhal, e uma mágica
Para que toda fantástica deixasse se fazer.
Diego Guerra

13 de jul de 2007

Máquina

A Máquina
Carbono ;
Olhos de diamante vêem além do que a fragilidade da carne pode conceber -
Pele fria , é lâmina para o toque de trinta e cinco graus nascido de outro humano -
Sem diálogos inúteis sem instruções que não levam a lugar nenhum sem amor -
Reside na solidão procurando seu proposito ; para nunca encontra-lo

Carbono ;
Olhos celulares , bastonetes e cones , multiplos espectros de luminosidade virtual -
Pele quente , é conforto fútil alegoria para a procriação da destrutiva homosapiencia
Verbetes que tudo representam , o influxo de sons usado para morrer e matar
Reside na solidão procurando seu propósito , para definhar antes de encontra-lo

Nada humano ;
supera o sofrimento humano .
Jean Felipe Limoeiro Gonçalves

12 de jul de 2007

Aqueles Gritos da Noite

Aqueles Gritos da Noite
Quando finalmente a noite chega,
Começa então a brincadeira.
A poeira é devolvida à sujeira,
E a vela não está mais acesa!

Os padres nos libertam
Com chaves moldadas no sangue.
E no ponto mais infame,
Palavras como flechas nos acertam!

Saímos com os rostos certos,
Sim, os que amedrontam!
Mesmo assim são os belos que os afrontam;
Ingênuos, devíamos ser mais espertos...

Na noite é tu quem dormes...
Respiro teus sonhos na lenha!
Pouso, demônio nu enorme,
E peço-te que me diga a senha!

Os gritos que te apavoram pela noite,
E a casa que faz tudo parecer seguro,
Os gritos que te apavoram pela noite
São princesas inertes no escuro.

Ah! A luz do sol... Brisa incolor, divindade!
Decepciona-me quando o diabo brinca com o fumo.
A noite é palco dos crimes e o dia revela a verdade...
Revela como foto que o trono é eu quem assumo.
Diego Guerra

11 de jul de 2007

Desejos

Desejos
Lá vem ela aos beijos com seus fulanos
Abrindo portas como musa divinal
Ostenta nos seios os prazeres desumanos
Jorrando em nós o veneno mais fatal

Não há justiça mais real que se seu julgar
Que mesmo hipócrita é palavra santa
Justiça farta – permaneço a mergulhar
Neste oceano que em teu corpo é uma manta

Estou aos prantos numa sala – Oh, solidão!
Que me mastiga feito o lobo mais voraz
Mas não lhe digo que me dói o coração
Pois este eu dei para ti há tempo atrás

Seja esta vida um túnel sem louvor
Não existe raça que acalme minha mente
Sendo esta vida uma vida sem amor
É com frieza que dois passos dou p’ra frente

Passou o tempo em que nós éramos um par
Não temos vida, pois há só desilusão.
Passou da hora; não há mais o que encarar.
São duas pedras empoeiradas no porão

O infortúnio é a nossa decadência
Culpando nossas dores, impunes nefastas.
Não passa de pura aparência
Estamos isolados e fracos em nossas castas!

Sim, desejo acima de tudo,
Que o destino se revele
Seja cego, surdo ou mudo
Mas que esteja em nossa pele

Nosso retrato continua onde estava
Do mesmo jeito que você sempre deixou
Ao lado deste, o relógio que usara
- O tique-taque permanente acabou!
Antonio Carlos Vilela

Aniversário de Jean, o Jay.

Jay e Godô - by Fil
TRÊS URRAS PARA O JAY!
HIP HIP URRA!
HIP HIP URRA!
HIP HIP URRA!


TE AMO MEU CARO.


[for those about Jay, we salute you!]

10 de jul de 2007

Novo Ciclo [2]

Novo Ciclo [2]
Perde-se o asco,
Perde-se o medo,
Perde-se o sorriso, o retrato, o segredo.
Os segredos desvairam-se...Transformam-se em fábulas,
E as mentiras são também registradas,

Não há nada tão mentiroso
Quanto uma frase.
Hoje que é um dia novo...
Amanhã acredito no dia que trazes.

Perdi o asco.
Minha embriaguez natural
Condena-me a amar,
E minha tortura matinal
Desatina um olhar.
Perdi o asco...
Sonhei com o que vinha,
Sonhei a vida toda,
E essa vida toda era minha.

Chorei e cuspi Pelo que serei,
E depois sorri!
Porque nunca mais verei
A chuva e o sol em seu rosto reagir.
Perdi o medo...
E ganhei motivos para temer para sempre.
Amo nem que seja cedo,
Nem que em segredo...
Cada amor diferente.
Diego Guerra

O Velho

O Velho
-I-
Oh sintonia, a que eu amo!
Confesso-te embriagado
Em teu santuário, a minha alma eu derramo...
Pois choveu, a noite é curta – estou molhado...

Estive em lugares onde nunca pisei
Foi o relato de um velho ao meu lado,
Foram histórias que jamais esquecerei...
Pois me mata insanidade! – estou errado...
-II-
Dizia ele - “está frio e chovendo...”
Eu era a sombra, em silêncio o encarava
Mas ele ria e ponderava - “está vendo?”
E com o tempo mais o pano ele apertava

“Minha amada é quem fez este pra mim
O seu jazigo não tem mais aquelas mãos
Fez uma úlcera, sem ela esse é o fim
Só tenho ao pano e a caridade de irmãos.”
-III-
Ele amava, ele sofria – isto é comum.
Era sensível, delicado – uma flor.
Estava velho, acabado – era mais um.
Mas tinha alma e os dedos de um pintor

Fizera quadros que Monet invejaria,
Era um gênio – infeliz em decadência
Não era louco, muito menos um artista.
Era uma peça condenada à existência.
-IV-
Ele pedira pra apagar a luz da noite
Enamorado por seus olhos aceitei
Fui punido por lobos anjos ao açoite
E sangrando, a Deusa Lua sacrifiquei.

Entrego-te, Oh sintonia, o meu corpo,
A minha alma, meu poder, o meu voar
Entrego-me, Oh sintonia, estou morto
Ao ver a tarde virar noite sem luar.
Antonio Carlos Vilela

9 de jul de 2007

Aqui começa a saga de nós três.